Rubens Lima

Um poeta que é apaixonado pelo que é e pelo que faz.

Textos


       O RETORNO DE JK

 

 

 

Ele voltou!


É, alguém me falou

Que ele um dia voltou.
Que pena!
Eu estava aqui tão perto e não vi.

Queria muito  tê-lo visto

Sendo um dos primeiros,
E ter lhe dado um forte

E fraternal abraço.
Daqueles que damos

No nosso velho pai,
Ou num amigo de fé,

Depois de muitos janeiros.

Eu queria ter gritado bem alto

e ter anunciado:
“Acorda Brasília...

Ele voltou!
Eis aqui o teu criador.”

É, ele voltou!

Voltou como nunca deveria ter voltado;
Voltou humilhado, escondido, amargurado;


Voltou num velho caminhão

De um amigo, emprestado.

Não sei se sorriu

Por ver seu sonho concretizado,
Ou se chorou,

Por ter sido do seu país exilado.

É, talvez tenha chorado baixinho,

calado.
 

Ele não podia ser visto, notado.
Estava proibido de voltar e rever
A sua Capital da Esperança,
Que idealizou e a fez nascer.
É, ele voltou.

Dizem que estava indo

Para a cidade de Formosa,
 

Será?

Brasília, será que ele não queria

Só te espiar lá dê cima e saber

Se estavam cuidando bem de Você?

Após uma pane no seu avião,
No Aeroporto de Brasília

Não o deixaram pousar.


Que ironia!

 

Não sei se do destino,
Hoje, o mesmo Aeroporto

Tem o nome JK.

Certamente,

Tal insanidade fosse

Para que ele pudesse cair.
Mas, para desespero dos seus algozes

Que esperavam seu fim.


A aeronave aterrissou

Na fazenda de um amigo,
Na cidade de Unaí.

Acredito que mais uma vez

Ele deva ter chorado!


Não, tiranos não mudam o curso

De um ser predestinado!


Aceitando o convite de um amigo

Que sabia da sua predileção,
Partiram da Cidade de Unaí,

Sobre um velho caminhão.


Pois, opressores jamais

Tiram de um líder a sua convicção.

Em meio à oculta visita,

Adentraram na Avenida W-3
Comentando detalhes mantidos

Na mesma forma de antes.


Sutilmente, falaram sobre a Cidade Livre,

"Núcleo Bandeirante."


Orgulhoso dos valentes Candangos

E dos amigos que fez,
Não encontraram

O local do histórico Cine Cultura,
E o percurso na Avenida

Fizeram outra vez.

Seguidamente passaram

Pelo Eixo Monumental,
Tecendo saudosos comentários

Com o amigo, sobre o início da Capital.

Passaram pela Rodoviária

E entraram na Catedral.


Cabisbaixo,

Certamente deve ter orado

Agradecendo a Deus como sempre fazia,

De forma original.

Contam que ao sair

A alguém perguntou:
Se a catedral sempre enchia?


E em meio à resposta evasiva

Profetizou,


Que num futuro não muito distante.
Ela seria superlotada o bastante

Pelo povo brasileiro,
 

Que num misto de tristeza,

Orgulho, saudade e dor,
Consternaria todo o País

Em demonstração de amor.

Recôndito em sua visita,
Ele passou pela Esplanada dos Ministérios!

 

E na Praça dos Três Poderes parou...
 

Ele sorriu para a Bandeira Brasileira no alto,
Deu milho aos pombos,

Em meio ao STF e o Palácio do Planalto.

Planalto em que muitas vezes

Vislumbrou nosso progresso!


Planalto, cume nacional;


Planalto do parlatório

Onde fez seu último discurso seleto;

Falando a Nação e aos eleitos do Congresso!

Enfim,

Chegaram ao Palácio da Alvorada
Onde, demonstrando um carinho especial,
Falou ao amigo sobre sua segunda morada.


O Catetinho!

Sua primeira morada Oficial.


Lugar que, para todos nós,

Significa o marco inicial.


O início da história que fez de Brasília,

Dentre todas, a mais linda e amada Capital.

Ele voltou!


E depois de tanto nos dar de si

De forma paternal,


Foi ceifado, abruptamente,

Em um acidente fatal.

Ele,

Diamantina nos doou para ficar!
E hoje, junto ao Marco da Cruz,

Podemos lhe encontrar,


No justo e merecido memorial,

Denominado JK.

Rubens Lima
Enviado por Rubens Lima em 16/04/2007
Alterado em 23/04/2026


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